No ano passado, o Governo Regional da Madeira, através do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM (IASAÚDE) investiu cerca de 12,2 milhões de euros em análises clínicas, sendo esta a área que absorve a maior fatia do financiamento no âmbito dos acordos com prestadores da medicina privada.

  

 

Este tipo de acordo permite que os beneficiários do Serviço Regional de Saúde (SRS-Madeira) recorram aos hospitais e clínicas particulares para a realização de análises clínicas, usufruindo de uma comparticipação imediata no ato de pagamento.

Rubina Silva, presidente do IASAÚDE, salienta que este mecanismo permite salvaguardar a “liberdade de escolha do utente”, o qual pode ser seguido no setor privado e ter acesso às análises clínicas a um valor mais acessível, através de um prestador aderente ao acordo para esta área, possibilitando, igualmente, que o setor público mantenha a capacidade de resposta para este tipo de MCDT (Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica).

Esta é uma área que tem vindo a crescer nos últimos anos, tanto ao nível da quantidade de exames realizados como do valor pago.  Em 2025, essa evolução representou, face ao ano anterior, um acréscimo de 6,1% no número de análises efetuadas e de 8,4% no montante de comparticipação. Se recuarmos a 2019, ano em que a comparticipação foi de 6,2 milhões de euros, o investimento em análises clínicas praticamente duplicou.

“Esta é uma realidade à qual estamos atentos e que será tida em consideração na revisão do financiamento para esta área, no sentido de perceber as razões deste aumento exponencial e de encontrar as melhores soluções com vista a garantir o acesso equitativo da população a estes cuidados de saúde e a assegurar a sustentabilidade do SRS-Madeira”, sublinha Rubina Silva.

Nesse sentido, adianta, estão já em desenvolvimento medidas estratégicas que, por um lado, irão melhorar o acesso do utente aos seus dados clínicos e à saúde em geral, e, por outro, serão fundamentais para essa contenção na despesa. Uma dessas medidas é o Registo de Saúde do Utente (RSU). Trata-se de uma plataforma de partilha de dados em saúde, entre o setor público e o setor privado, que tem por objetivo melhorar a eficiência e a gestão da prestação dos cuidados de saúde da RAM.

“Aquilo que se pretende é reduzir o desperdício e contribuir para um acesso mais generalizado, mais rápido e com melhor qualidade à saúde”, realça a presidente do IASAÚDE, lembrando que esta plataforma irá reforçar a informação disponibilizada ao utente relativamente aos seus dados de saúde, assim como aos profissionais de saúde, com o devido consentimento.

Em 2025, mais de 56.900 utentes realizaram análises clínicas ao abrigo dos acordos com prestadores nesta área. Em 2024, foram cerca de 56.200. No ano passado, embora de forma pouco expressiva, foram mais os homens a realizarem exames, 50,34%, enquanto no ano anterior aconteceu o inverso, com as mulheres em maioria: 50,6%.

Tal como acontece com o número de beneficiários, entre 2024 e 2025 aumentaram as quantidades de análises realizadas e as requisições emitidas. De 1,9 milhões para mais de dois milhões de exames, resultantes de 287.680 e 305.022 requisições, respetivamente. Em média, cada utente utilizou, no ano passado, cinco requisições e realizou 36 análises, o que equivale a um investimento individual de 213,7 euros.

Entre as análises mais frequentes estão as que têm por finalidade avaliar a taxa de filtração e funcionamento dos rins, assim como infeções, anemias, inflamações e distúrbios de coagulação e, ainda, as que permitem avaliar a saúde do fígado e diagnosticar lesões hepáticas.

Atualmente, o IASAÚDE tem estabelecidos acordos com três prestadores, os laboratórios LANA, Synlabhealth Madeira, Lda e Teixeira & Góis.