A pirâmide etária em Câmara de Lobos ainda se mantém dentro da lógica, com mais nascimentos que falecimentos e, ao contrário de outros concelhos da Região, a população ‘resiste’, com 2017 a evidenciar o terceiro maior número de sempre de residentes.

 

Os dados demográficos do concelho de Câmara de Lobos, relativos a 2017, mostram uma estabilidade pouco usual nos números e, ao contrário do que sucede na maioria dos municípios da Região, até aumentou, quando em comparação dos meados do século passado. Os 33.947 habitantes constituem mesmo o terceiro número mais elevado de sempre, apenas suplantados pelos 35.666 de 2011 e os 34.614 de 2001. Sim, é certo que nesses últimos sete anos perdeu 1.519 habitantes, mas recuando no tempo, verifica-se que em 1950 eram 27.420 os câmara-lobenses e que em 1991 seriam 31.476.

 

Dos atuais 33.947, 17% são jovens até aos 14 anos (5.770) e 12% com idade superior a 64 anos (4.072), verificando-se uma superioridade juvenil, igualmente pouco usual nos restantes concelhos. Consultando os números de 1950, percebe-se que então 39% tinham até esses 15 anos de idade, enquanto só 5% eram tinham 65 ou mais anos.

 

Constata-se, pois, que essa pirâmide vai se invertendo, mas, ainda assim, sublinhe-se, não de forma tão gravosa como vem sendo prática neste ‘checar’ de concelho a concelho que o JM vem fazendo pelo arquipélago. E verifica-se que em cada 100 jovens existem apenas 71 idosos, quando a média regional está já nos 115 e a nacional 153.

 

Para este cenário, de não desertificação e boa cadência de população jovem, em muito contribui o saldo positivo entre nascimentos e falecimentos, que em 2017 foi de +27 (293-266). Câmara de Lobos foi mesmo o terceiro maior concelho regional no que respeita nascimentos nesse ano – 58% dos quais ‘fora do casamento’ -, ocupando também o mesmo posto no que respeita a casamentos (91).

 

Com uma densidade populacional de 651 habitantes por km2, apenas superado pelos 1.374 do Funchal, registando a pouca propensão para atrair residentes estrangeiros, contabilizando-se apenas 210 do todo dos 6.692 da Região, relegando Câmara de Lobos para o 7.º lugar do ranking regional, neste item.

 

No universo dos 130.980 alojamentos familiares cadastrados na Região nesse ano de 2017, 13.522 estavam em Câmara de Lobos, concelho superado apenas por Funchal e Santa Cruz, sendo este município inflacionado pelo ‘dormitório’ chamado Caniço. A média câmara-lobense aponta para 2,5 pessoas por habitação, sendo que 64% dos novos edifícios contruídos em 2017 se dedicaram, precisamente à habitação. Outra vez com Câmara de Lobos à frente da média regional, que se ficou pelos 58%.

 

Câmara de Lobos terá um ‘problema’ para resolver, no que toca os seus espetáculos ao vivo. Não na sua quantidade, dado que ali foram realizados, nesse ano de 2017, 56 certames, mas sim na quantidade de pessoas que ‘chamou’, na ordem das 509 por cada 1.000 habitantes.

 

Ora, é apenas o 9.º concelho do arquipélago, sendo que a média, no todo da Região, está já nos 1.277 espetadores por cada milhar de residentes, com os concelhos a norte a ditarem leis. Sabendo-se dos pontos muito altos em determinados espetáculos, como sejam, por exemplo os relativos ao ‘peixe espada preto’ – uma das suas imagens de marca – fácil será concluir que muitos dos outros não terão a aceitação perspetivada, por uma autarquia que reserva 8% do seu orçamento para a cultura.

 

Com normais indicadores na relação entre habitantes e caixas multibanco (2.115), médicos (707) e bombeiros (416), o município apresentará, quiçá, um défice ao nível de farmácias, com uma para cada 4.243 habitantes, que à par- tida parecerá um rácio desajustado No que respeita a empresas não financeiras, Câmara de Lobos reunia 2.580 do todo das 25.180 da Região, surgindo no terceiro posto, atrás de Funchal e Santa Cruz.

 

Esta ordem é exatamente a mesma quando chamada à equação os funcionários que essas mesmas empresas agregam, com 4.898 dos 64.881 do arquipélago, que dará uma média perto de 1,9 funcionários por empresa.

 

No total, 8.399 das 80.563 das pensões da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações da região estavam em Câmara de Lobos, onde existiam 506 dos 4.060 beneficiários regionais do subsídio de desemprego, número que representa 3,8% de beneficiários no universo de contribuintes, abaixo da média regional que se situa nos 4,2%.

 

Num município onde a autarquia reserva 43% do seu orçamento para despesas com pessoal e 8% para despesas com o ambiente, o consumo de energia elétrica por habitante é bastante baixo. Apenas 1.924 kwh, lançando Câmara de Lobos para o último lugar deste ranking, onde a média regional é de 3.133 kwh. Quanto a resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante, está nos 35 kgs – 9.º mais frágil entre os 11 concelhos - muito distantes da média da

 

Região, colocada nos 105 kgs.

 

Quanto a forasteiros que consegue atrair, aos longo de 2017 nos seus 14 empreendimentos truísticos albergou um total de 25.163 pessoas (2,5% da Região), 91% dos quais estrangeiros, com uma estadia média de 5,5 noites.

 

Cada hóspede, em média, gastou 151,7 euros por dia, no conjunto de todas as despesas, num valor ligeiramente abaixo do todo da Região, que está nos 169,30 euros. A média regional de dormida de estrangeiros, no todo dos concelhos, está nos 80%, pelo que os 91% de Câmara de Lobos – pior apenas Santana - deixam implícito que apenas 9% das dormidas serão de madeirenses, para as denominadas ‘escapadinhas’, fragilidade indicadora que há trabalho a fazer nesta matéria para atrair os locais ao concelho.

 

In “JM-Madeira”